Se você está pensando em tomar remédio para emagrecer, este post vai te ajudar bastante a entender como ele funciona, o que pode causar, e a partir daí você terá uma boa base para a sua decisão.

Antes de tudo, saiba que o seu uso é recomendado para pessoas com casos mais graves de obesidade mórbida, e não para qualquer pessoas que queira emagrecer.

Não é a toa que muitos destes remédios para emagrecer tenham sido proibidos pela Anvisa.

Remédios para emagrecer

Remédio para Emagrecer – Componentes

Fórmulas típicas de remédios para emagrecer contém de 5 a 15 componentes. Veja alguns deles a seguir.

Substância “tipo-anfetamina”

A anfetamina é estimulante do sistema nervoso central, podendo provocar o aumento das capacidades físicas e psíquicas.

As mais utilizadas em remédios para emagrecer são o femproporex e a dietilpropiona.

Tranquilizantes Benzodiazepínicos

Geralmente são utilizados o diazepan ou clordiazepóxido nas fórmulas emagrecedoras.

Agentes Tireoidianos

Geralmente utilizados em remédios emagrecedores: Triiodotironina, tetraiodotironina, triac e triatec.

Grandes doses desses hormônios conduzem ao hipertireoidismo, doença em que alguns dos sintomas se somam, e se confundem aos efeitos indesejáveis de anorexígenos, causando irritabilidade, agitação,  taquicardia, tremores, alterações intestinais, podendo ainda causar perda de massa muscular, osteoporose e queda de cabelo, dentre outros inconvenientes.

Diuréticos

A furosemida, e hidroclortiazida, são os mais utilizados nos remédios para emagrecer.

Agentes Gastrointestinais

Cimetidina, fenolftaleína, dimeticona.

Produtos Vegetais

Uma variedade deles, como cáscara sagrada, cavalinha, Fucus vesiculosus dentre outros, são utilizados nas fórmulas emagrecedoras.

Antidepressivos

A fluoxetina e a sertralina, vitaminas, cloreto de potássio, propanolol são apenas alguns a citar.

Principal Motivo de Proibições

Haviam 3 medicamentos no passado, bastante usados no tratamento da obesidade:

  • Endol;
  • Femproporex;
  • Anfepramona.

Estes remédios foram proibidos pela Anvisa, e o principal motivo foi o abuso e a venda indiscriminada.

Além disso, alguns efeitos colaterais também foram motivos. Um deles, e o pior de todos, foi a indução de doença psiquiátrica, principalmente em pessoas com maior propensão de desenvolver este tipo de doença.

Uso Indiscriminado de Remédio para Emagrecer

Uma das maiores provas de uso indiscriminado dos remédios para emagrecer, é o fato de que muitos deles podiam, ou talvez até ainda possam ser comprados na clandestinidade, e até mesmo pela internet, sem bula, e sem prescrição médica.

O pior de tudo, é que ao comprar estes remédios de forma clandestina, não há bula ou prescrição, e os rótulos exibem apenas nomes fantasiosos, como “Emagrecedor Natural”, por exemplo.

Infelizmente, nem mesmo os clientes que recebem prescrições médicas ficam em melhor situação.

Se você já ouviu falar em uma Indústria bilionária do emagrecimento, saiba que existe uma lógica que alguns estudantes de medicina utilizam para explicar o que porquê estes medicamentos muitas vezes são vendidos ou até prescritos de forma indiscriminada: seria o “princípio da cascata”: sempre haverá um remédio para combater os males provocados por outro, e assim, inicia-se um ciclo vicioso, com o qual milhares de pessoas estão lucrando.

Por isso, quando algumas pessoas duvidam do efeito dos programas de emagrecimento oferecidos neste site, eu cito a Indústria do emagrecimento. Os programas aqui do site, não utilizam-se de remédios, e nem outras fórmulas para emagrecer, mas sim de poucos minutos de exercício por dia, e pequenas alterações a serem feitas na alimentação.

Programas De Emagrecimento

Cito este exemplo também com relação ao treinamento intervalado de alta intensidade. Muita gente ainda não ouviu falar, e se este método fosse tão divulgado e conhecido, muita gente deixaria de lucrar com a venda de remédios. (Para saber mais sobre este método, leia o post Treinamento Intervalado de Alta Intensidade.)

Com o uso indiscriminado do remédio para emagrecer, ao enfrentar os efeitos colaterais, os usuários acabam interrompendo o tratamento, e entram em crise de abstinência pela falta da anfetamina e do benzodiazepínico.

Esta crise ocasionará em alguns efeitos como a apatia, sonolência, depressão, fraqueza, falta de memória, e até mesmo ideação suicida. A esses sintomas acrescentam-se os do hipotireoidismo.

Efeitos dos remédios para emagrecerAlguns Estudos

Em estudo conduzido pela doutora Solange Nappo (Cebrid – Unifesp), e por colaboradores da USP, foram consideradas 107 consultas com prescrição de fórmulas.

A conclusão foi que, das 107 consultas:

  • Apenas um médico falou ao cliente sobre a existência de efeitos colaterais;
  • Somente cinco advertiram para não aumentar as doses prescritas;
  • Sete apenas advertiu para que evitassem a gravidez no período da medicação;
  • Nenhum deles citou o fato de as anfetaminas e barbitúricos causarem dependência química.

Um boletim da Organização Mundial da Saúde, de 1983, advertiu o seguinte: a indução de dependência por barbitúricos está claramente demonstrada (…) Essas drogas devem ser reservadas para pacientes que sofrem de ansiedade clínica bem definida”. Bastam três meses de uso (às vezes, menos) para que sejam criadas dependência química e síndrome de abstinência à retirada abrupta.

As drogas do “tipo-anfetamina”, estão relacionadas à tolerância que, consequentemente, podem levar ao aumento de doses por conta própria, o que é um perigo. Dobrar ou triplicar o número de cápsulas diárias consequentemente duplica ou triplica as doses de hormônio tireoidiano, diurético, benzodiazepínico, antidepressivo, laxante e o diabo que houver, correndo o risco de perder a vida.

Por isso a Anvisa proibiu a prescrição de anorexígenos, como parte de formulações magistrais.

Fonte: Drauzio Varella