O sedentarismo é um mal que já atinge mais de 45% dos brasileiros, como revelou uma pesquisa do Ministério do Esporte. E esses dados preocupam cada vez mais especialistas da saúde.

Um estudo da Universidade de Cambridge publicado na American Journal of Clinical Nutrition revelou que o sedentarismo é duas vezes mais mortal do que a obesidade, principalmente quando falamos de morte prematura.

Riscos do sedentarismo

Ao observar por 12 anos 334.161 pessoas, entre homens e mulheres, os pesquisadores mediram o peso e circunferência abdominal dos voluntários, assim como observaram as atividades físicas que eram praticadas por eles.

O estudo revelou que realizar apenas 20 minutos de atividade física por dia reduz as chances de se ter uma morte prematura em até 30%, um número muito alto para quem apenas migra da categoria sedentário para moderadamente inativo.

Os riscos do sedentarismo

Quando deixamos de praticar qualquer atividade física que resulte em gasto calórico, prejudicamos o pleno funcionamento de nosso organismo, principalmente nosso sistema cardiovascular.

Por esse motivo, as chances de uma pessoa sedentária desenvolver doenças associadas como obesidade, diabetes, pressão alta, doenças articulares, colesterol alto, infarto e derrames são maiores do que aqueles que realizam uma atividade física, ainda que demorada.

Além disso, o sedentarismo é o principal fator de risco quando falamos de morte súbita e é o responsável por agravar doenças mais graves.

Os números do sedentarismo no Brasil são maiores do que os de países desenvolvidos, como França (22%), Canadá (33,9%) e Inglaterra (17%). Já os Estados Unidos, que possuem grande número de obesos, contam também com mais de 40% da população que se encaixa no perfil do sedentarismo. Se analisarmos a população mundial, os números são ainda mais preocupantes: 70% das pessoas em todo o globo praticam menos atividades físicas do que deveriam.

Menos energia, mais preguiça

Um dos problemas decorrentes do sedentarismo são as baixas concentrações de serotonina no organismo, um neurotransmissor importante para a atividade dos músculos, para o humor e também para a energia.

Ele é o responsável pelo estado de vigília desempenhado pelo nosso cérebro, o que nos deixa mais atento e alertas, mas que também é importante para regular a primeira fase do sono. Quando a serotonina é inadequada no nosso organismo, ficamos também mais propensos a chorar e à irritação.

Pessoas que apresentam baixos níveis do hormônio no corpo também tem mais propensão a consumirem doces e alimentos altamente calóricos, assim como se sentem menos saciadas, comendo com mais frequência do que o necessário.

Como saber se você é sedentário?

Para não ser considerado sedentário, é preciso que se gaste pelo menos 2.200 calorias por semana. Se você gasta menos do que isso, é preciso ter atenção e aumentar os gastos calóricos, diminuindo assim as chances de ficar doente e ganhar peso de forma excessiva.

Para isso, é preciso que você escolha uma atividade física que lhe dê prazer, já que seu corpo demora pelo menos um mês para se acostumar com a rotina de exercícios e consiga assim colher todos os benefícios da atividade, como resistência física, perda de peso e aumento do ganho de massa magra.

No entanto, é preciso também que haja a inserção dessas atividades aos poucos em sua rotina, já que o excesso pode causar lesões e atrapalhar todo o processo de adaptação à nova rotina.

Você pode também fazer pequenas mudanças que lhe ajudem a sair do sedentarismo, e começar uma nova rotina, inserindo pequenos exercícios básicos e que fazem parte do dia a dia com maior frequência, como:

  • Usar escadas ao invés de elevadores;
  • Descer alguns pontos antes do seu destino e fazer o restante do trajeto caminhando;
  • Estacionar o carro em um local mais longe do que o habitual;
  • Começar a fazer pequenas caminhas pelo menos 3 vezes na semana.